Este pensamento de Nietzsche nos traz a seguinte questão: Brincar é coisa séria? Paradoxalmente, sim! E quantas coisas acontecem quanto ao desenvolvimento cognitivo, emocional e maturacional da criança quando ela brinca! Basta observar crianças brincando, totalmente absorvidas e concentradas, para perceber que algo de grande importância está acontecendo.
E que imenso pesar deveríamos sentir ao nos depararmos com uma criança ou um adulto incapaz de brincar... quando o brincar não é possível!
Convido, então, a todos, para um mergulho no sentido e no significado do brincar.
E que imenso pesar deveríamos sentir ao nos depararmos com uma criança ou um adulto incapaz de brincar... quando o brincar não é possível!
Convido, então, a todos, para um mergulho no sentido e no significado do brincar.
Brincar conduz ao vínculo e aos relacionamentos grupais. A palavra brincar, etimologicamente falando, vem do latim e tem como radical a palavra “brinco”, que significa, na sua raiz morfológica, “vinculu / vinculum”. Brincar, portanto, constitui-se numa atividade de ligação ou vínculo com algo em si mesmo e com o outro. Ao brincar com alguém, a criança introduz seu próprio brincar e experencia a aceitação e a não aceitação de idéias de outras pessoas. Está assim, preparando o caminho para um viver compartilhado, um relacionar-se com o outro e com a vida.
O primeiro brincar da criança é com seu próprio corpo. Ao brincar, a criança constrói o seu próprio corpo. Ao longo do primeiro ano de vida da criança, já é possível observar o brincar quando o bebê se lambuza com muito entusiasmo, formando uma película homogênea com uma mistura de muco, baba, sopa, remelo... Esta película homogênea, formada por estes episódios de lambuzeira, passa a ser uma parte do próprio corpo do bebê, uma pele que o circunscreve e traz a sensação de contorno e de limite. Famílias muito preocupadas com a higiene podem dificultar esta experiência constitutiva.
Ao brincar, a criança vive uma experiência criativa na relação com o mundo. E é somente sendo criativo que o indivíduo descobre-se a si mesmo. Quando brinca, a criança experimenta a si mesma surpreendendo-se através de seus gestos autênticos. Além disso, exercita a sua imaginação buscando sentidos e significados próprios, o que é fundamental para a produção de conhecimento.
A criatividade da criança, porém, pode ser facilmente inibida por um pai ou uma mãe que saiba demais. Apesar das melhores das intenções, é preciso conter-se de expressar o que se sabe nestes momentos para não bloquear a espontaneidade da criança. Sem a espontaneidade, o indivíduo se assemelha a um robô, que está submetido à outra pessoa ou a uma máquina. E esta submissão traz um sentimento de inutilidade, uma vez que o mundo é sentido apenas como algo a que se ajustar e se adaptar. Quantas vezes nós adultos nos sentimos assim ao realizarmos atividades que vão de encontro ao desejo do outro, mas que nada têm a ver com nós mesmos!
A criatividade da criança, porém, pode ser facilmente inibida por um pai ou uma mãe que saiba demais. Apesar das melhores das intenções, é preciso conter-se de expressar o que se sabe nestes momentos para não bloquear a espontaneidade da criança. Sem a espontaneidade, o indivíduo se assemelha a um robô, que está submetido à outra pessoa ou a uma máquina. E esta submissão traz um sentimento de inutilidade, uma vez que o mundo é sentido apenas como algo a que se ajustar e se adaptar. Quantas vezes nós adultos nos sentimos assim ao realizarmos atividades que vão de encontro ao desejo do outro, mas que nada têm a ver com nós mesmos!
É importante destacar que a criatividade aqui referida não é apenas aquela da criação de grandes obras de arte glorificadas pelo público, mas sim se relaciona a um viver criativo, autêntico, a um colorido em relação à vida, ao estar vivo, à sensação de que “a vida é digna de ser vivida”, conforme definido pelo psicanalista inglês D.W. Winnicott. Esta sensação é construída a partir da qualidade das primeiras relações da criança com seu ambiente, mãe e pai.
Ao brincar, a criança elabora seu mundo interno através da realidade externa. Através do brincar a criança vive o interjogo entre o mundo interno e o mundo externo. A criança manipula objetos da realidade externa para tematizar questões de sua realidade psíquica. Por exemplo, quando a criança brinca de “deixar cair coisas” ou de “esconde-esconde”, pode estar brincando de desinvestimento, desprendimento do outro, separação, desaparecimento e aparecimento.
Brincar é próprio da saúde e muitas vezes autocurativo. Brincar, essencialmente, satisfaz. O brincar é um lugar de repouso. Para que a criança possa brincar, ela precisa poder estar só consigo mesma, com a confiança de que os adultos que ama estarão lá quando ela precisar deles.
Brincar, portanto, não é pouca coisa. Brincando criamos o mundo! Você já brincou hoje?
Brincar é próprio da saúde e muitas vezes autocurativo. Brincar, essencialmente, satisfaz. O brincar é um lugar de repouso. Para que a criança possa brincar, ela precisa poder estar só consigo mesma, com a confiança de que os adultos que ama estarão lá quando ela precisar deles.
Brincar, portanto, não é pouca coisa. Brincando criamos o mundo! Você já brincou hoje?
Postado por Elaine Lucchetti
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